📅 Publicado em: março de 2026
🕐 Tempo de leitura: 9 minutos
A pergunta “como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa” não tem uma resposta única — tem uma resposta que depende de onde a empresa está hoje. E a única forma de saber onde a empresa está é conduzir um diagnóstico estruturado antes de tomar qualquer decisão de implementação. Começar sem diagnóstico é o equivalente a construir sem planta — o trabalho pode acontecer, mas há uma chance considerável de precisar ser refeito.
O diagnóstico não precisa ser um projeto de seis meses. Precisa ser honesto, estruturado nas quatro áreas certas e documentado de forma que permita priorizar. Quatro áreas definem o escopo mínimo de qualquer diagnóstico de prontidão para o CBPS 01 e CBPS 02.
O conselho supervisiona riscos e oportunidades de sustentabilidade? Essa supervisão está documentada com frequência, competências e decisões? Há responsável formal pelo reporte IFRS S1/S2 com autoridade para integrar áreas?
A empresa já conduziu avaliação de materialidade financeira conforme o CBPS 01? O processo está documentado com base nos tópicos SASB do setor? A conclusão sobre o que é e o que não é material está justificada de forma auditável?
Os dados que comporão o relatório estão sendo coletados com rastreabilidade auditável? Há protocolo de coleta ativo para Escopo 1, 2 e 3? Os sistemas de coleta ESG estão integrados ou são integráveis com o ERP financeiro?
A empresa já identificou quem será o auditor independente para a asseguração razoável? Há conflito de independência entre o fornecedor de implementação e o de asseguração? O auditor foi envolvido no processo de construção dos controles?
O resultado do diagnóstico define tudo que vem depois: quais áreas precisam de maior esforço, qual é a sequência de trabalho e qual é o perfil de prontidão da empresa. Sem esse mapa, qualquer decisão de implementação é um chute — e no contexto do exercício de 2026, chutes têm custo irrecuperável.
Os três perfis de empresa ao implementar o IFRS S1 e S2 — e o que cada um precisa fazer
Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa depende fundamentalmente do histórico de reporte da empresa. Três perfis descrevem a maioria das companhias abertas brasileiras — com distâncias muito diferentes da linha de chegada.
Situação: a empresa não produz relatório de sustentabilidade regularmente, não tem inventário de carbono e não tem processo de materialidade. Pode ter ações pontuais de ESG mas sem estrutura de reporte.
Distância da chegada: a maior. Precisa construir tudo do zero — governança, processo de materialidade, sistemas de coleta, controles internos e preparação para asseguração.
O que fazer primeiro: nomear um responsável com autoridade para integrar finanças e sustentabilidade. Envolver o CFO imediatamente. Conduzir diagnóstico externo para dimensionar o esforço antes de qualquer decisão de implementação. Buscar apoio especializado é praticamente obrigatório para empresas desse perfil — a curva de aprendizado é muito alta para ser superada internamente em tempo hábil.
Ação concreta: agendar reunião com CFO e Diretor de Sustentabilidade (ou equivalente) para definir estrutura de governança interna antes do fim do Q1 de 2026. Se já estiver no Q2 ou Q3, essa reunião é urgente.
Situação: a empresa produz relatório GRI consolidado anualmente, tem inventário de carbono e possui equipe de sustentabilidade com processos estruturados. O problema não é a ausência de dados — é a lógica com que eles foram coletados.
Distância da chegada: média. A infraestrutura de reporte existe mas foi construída com lógica de materialidade de impacto — oposta à materialidade financeira do CBPS 01. Os dados existem mas raramente têm a rastreabilidade que a asseguração razoável exige.
O que fazer primeiro: conduzir a análise de materialidade financeira do zero — sem tentar adaptar a matriz GRI existente. Mapear quais dados já coletados têm rastreabilidade auditável e quais precisam de melhoria no protocolo de coleta. Integrar a controladoria ao processo. Para entender por que a materialidade GRI não se transpõe para o CBPS 01, leia o artigo sobre o que é materialidade financeira no IFRS S1.
Ação concreta: mapear quais tópicos SASB do setor foram cobertos pelo relatório GRI existente — e quais foram excluídos sem avaliação de materialidade financeira. Essa lacuna é o ponto de partida do processo de materialidade CBPS 01.
Situação: a empresa produz relatório integrado conforme o framework do IIRC, com conexão explícita entre estratégia, riscos e capitais. É o perfil mais próximo do IFRS S1 — mas ainda há gaps relevantes.
Distância da chegada: a menor — mas não desprezível. O Relato Integrado trabalha com materialidade de capitais que se aproxima da materialidade financeira, mas não é idêntica. A integração entre dados financeiros e ESG existe conceitualmente mas raramente tem a documentação de processo que a asseguração razoável exige.
O que fazer primeiro: mapear explicitamente quais divulgações do relatório integrado existente correspondem aos requisitos do CBPS 01 e quais precisam de complementação. Focar esforço na rastreabilidade dos dados — que provavelmente existe como dado mas não como evidência de processo. Antecipar a seleção do auditor independente — empresas desse perfil têm mais chance de conseguir um auditor de qualidade com antecedência.
Ação concreta: fazer um mapeamento gap analysis entre os quatro pilares do CBPS 01 (governança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metas) e as divulgações do relatório integrado atual. Esse mapeamento é o diagnóstico de prontidão para empresas do Perfil C.
A linha do tempo realista para implementar o IFRS S1 e S2 em 2026 — trimestre a trimestre
Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa em tempo hábil é uma questão de sequência e de ritmo. A linha do tempo abaixo assume que a empresa ainda está no início do processo — para cada trimestre de atraso, as etapas precisam ser comprimidas ou o escopo do primeiro relatório precisa ser ajustado.
Os três erros mais caros ao implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa
As primeiras empresas brasileiras a adotar o IFRS S1 e S2, os diagnósticos publicados por consultorias e o acompanhamento do mercado regulatório convergem em três erros que se repetem — e que têm custos específicos que podem comprometer toda a implementação.
Quando e por que buscar ajuda especializada para implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa
A pergunta sobre ajuda especializada tem uma resposta honesta — não um pitch. A maioria das companhias abertas brasileiras não tem internamente a combinação de expertise necessária para conduzir a implementação do IFRS S1 e S2 com qualidade auditável: profundidade em IFRS contábil, expertise em sustentabilidade e ciência climática, e experiência com asseguração razoável.
Isso não significa que toda empresa precisa de um projeto de consultoria completo desde o início. Significa que há pontos específicos onde a ausência de expertise externa tem custo relevante.
- Diagnóstico de prontidão estruturado nas quatro áreas — evita subestimar ou superestimar o esforço
- Processo de materialidade financeira — o conceito mais novo e o mais difícil de conduzir internamente sem referência
- Integração entre sistemas ESG e ERP financeiro — exige expertise técnica em ambos os mundos
- Preparação para asseguração razoável — estruturar evidências que atendam ao padrão auditorial
- Escopo 3 da cadeia de fornecedores — protocolo de coleta e estimativa documentada
- A firma tem expertise combinada em IFRS contábil e em sustentabilidade — ou apenas em um dos dois?
- Os profissionais que vão executar o trabalho são os mesmos que fazem a venda — ou o projeto será executado por equipe júnior?
- A firma pode fazer a implementação sem criar conflito de independência com a asseguração?
- A firma tem experiência com os pronunciamentos CBPS 01 e 02 especificamente — não apenas com IFRS S1/S2 em inglês?
O momento ideal para buscar ajuda especializada é no diagnóstico — antes de comprometer recursos em implementação que pode precisar ser refeita. Um diagnóstico bem conduzido define o escopo real do projeto, o cronograma viável e o perfil do fornecedor necessário. Sem diagnóstico, o risco é contratar mais do que se precisa, menos do que se precisa ou a coisa errada.
Para entender o que as primeiras empresas brasileiras a adotar o IFRS S1 e S2 aprenderam sobre esse processo, leia o que as pioneiras fizeram diferente. E para o contexto completo do que está em jogo, leia IFRS S1 e S2 no Brasil: o que muda para companhias abertas.
Reinaldo Oliari — Ibracon
Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa começa com uma pergunta honesta: onde estamos hoje? A resposta a essa pergunta define tudo que vem depois — o escopo do projeto, o ritmo necessário, os fornecedores certos e as decisões que precisam ser tomadas antes que o exercício de 2026 avance mais. O IBGC disponibiliza recursos específicos para conselheiros sobre supervisão de riscos climáticos que complementam o processo de governança exigido pelo CBPS 01.
Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa — perguntas frequentes
Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa — por onde começar?
O primeiro passo obrigatório é o diagnóstico — mapear onde a empresa está hoje em relação às quatro áreas do CBPS 01: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas. Sem diagnóstico, não é possível priorizar nem dimensionar o esforço. O diagnóstico precisa cobrir governança interna, maturidade de dados, processo de materialidade financeira e prontidão para asseguração razoável.
Qual é a linha do tempo realista para implementar o IFRS S1 e S2 em 2026?
Q1/2026: diagnóstico e governança. Q2/2026: materialidade financeira e mapeamento de gaps. Q3/2026: implementação de controles, engajamento de fornecedores e seleção do auditor independente. Q4/2026: fechamento de dados e documentação de processo. Janeiro a maio de 2027: produção do relatório, asseguração razoável e publicação. Empresas que já estão no Q2 ou Q3 sem governança definida precisam comprimir as etapas anteriores.
Minha empresa já tem relatório GRI. Quanto falta para estar pronta para o IFRS S1 e S2?
Ter GRI é uma vantagem de processo — mas a distância ainda é significativa. Os principais gaps são: materialidade financeira (lógica oposta ao GRI, precisa ser refeita do zero), rastreabilidade (dados GRI raramente têm a documentação de processo que a asseguração razoável exige) e integração com dados financeiros (o CBPS 01 exige conexão auditável entre dados ESG e demonstrações financeiras).
Quais são os três erros mais caros ao implementar o IFRS S1 e S2?
Primeiro: começar pelo relatório em vez de pela governança. Segundo: subestimar o Escopo 3 da cadeia de fornecedores. Terceiro: não envolver o CFO e a controladoria desde o início. Em todos os casos, o custo é irrecuperável — dados sem rastreabilidade não podem ser reconstruídos retroativamente, e a integração financeira tardia compromete a auditabilidade do relatório.
Quando e por que buscar ajuda especializada para implementar o IFRS S1 e S2?
O momento ideal é o diagnóstico — antes de comprometer recursos em implementação que pode precisar ser refeita. A maioria das companhias abertas não tem internamente a combinação de expertise em IFRS contábil e em sustentabilidade necessária para a implementação com qualidade auditável. Lembrar que a firma que implementa não pode assegurar o relatório — são dois fornecedores distintos, por exigência da regra de independência auditorial.
Para saber exatamente em qual perfil sua empresa se encaixa e quais são os gaps prioritários, o Painel de Prontidão IFRS S1/S2 da Auíri é o ponto de partida — com autodiagnóstico por pilar, mapa de gaps e linha do tempo comentada para 2026/2027. Se você já sabe que precisa de apoio especializado para implementar o IFRS S1 e S2 na sua empresa, entre em contato diretamente.
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- Materialidade financeira no IFRS S1: o conceito que mais trava as empresas brasileiras
- Escopo 3 e IFRS S2: por que a cadeia de valor é o maior gargalo do reporte climático
- O que o conselho e o CFO precisam saber sobre IFRS S1/S2
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Melissa Silvani é sócia e diretora de operações na Auíri, apaixonada por causas que importam e dedicada a construir pontes entre pessoas e propósitos.
Já sabe que precisa implementar o IFRS S1 e S2 e quer entender por onde começar na sua empresa? Estamos prontos para essa conversa.