Dardo-na-implementacao-do-IFRS

IFRS S1/S2: sem diagnóstico inicial, qualquer decisão de implementação é chute — e este pode ter custo irrecuperável

IFRS S1 | S2 · Relatório Obrigatório 2027
Saber como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa é a pergunta de quem já entendeu o problema e quer agir. A resposta não é genérica — depende de onde a empresa está hoje. Mas a sequência é universal: governança primeiro, materialidade segundo, dados terceiro, relatório por último. Inverter essa ordem é o erro mais caro que uma companhia aberta pode cometer em 2026.
✍️ Por: Melissa Silvani, sócia e COO Auíri
📅 Publicado em: março de 2026
🕐 Tempo de leitura: 9 minutos
como implementar o ifrs s1 e s2 na minha empresa — plano de ação com documentos e linha do tempo sobre mesa corporativa
4
áreas que todo diagnóstico de prontidão IFRS S1 e S2 precisa cobrir

3
perfis de empresa com caminhos distintos de implementação

Q1/2026
momento ideal para concluir diagnóstico e definir governança

Mai/2027
prazo definitivo — todos os caminhos precisam chegar aqui

A pergunta “como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa” não tem uma resposta única — tem uma resposta que depende de onde a empresa está hoje. E a única forma de saber onde a empresa está é conduzir um diagnóstico estruturado antes de tomar qualquer decisão de implementação. Começar sem diagnóstico é o equivalente a construir sem planta — o trabalho pode acontecer, mas há uma chance considerável de precisar ser refeito.

O diagnóstico não precisa ser um projeto de seis meses. Precisa ser honesto, estruturado nas quatro áreas certas e documentado de forma que permita priorizar. Quatro áreas definem o escopo mínimo de qualquer diagnóstico de prontidão para o CBPS 01 e CBPS 02.

Governança

O conselho supervisiona riscos e oportunidades de sustentabilidade? Essa supervisão está documentada com frequência, competências e decisões? Há responsável formal pelo reporte IFRS S1/S2 com autoridade para integrar áreas?

Materialidade

A empresa já conduziu avaliação de materialidade financeira conforme o CBPS 01? O processo está documentado com base nos tópicos SASB do setor? A conclusão sobre o que é e o que não é material está justificada de forma auditável?

Dados

Os dados que comporão o relatório estão sendo coletados com rastreabilidade auditável? Há protocolo de coleta ativo para Escopo 1, 2 e 3? Os sistemas de coleta ESG estão integrados ou são integráveis com o ERP financeiro?

Asseguração

A empresa já identificou quem será o auditor independente para a asseguração razoável? Há conflito de independência entre o fornecedor de implementação e o de asseguração? O auditor foi envolvido no processo de construção dos controles?

O resultado do diagnóstico define tudo que vem depois: quais áreas precisam de maior esforço, qual é a sequência de trabalho e qual é o perfil de prontidão da empresa. Sem esse mapa, qualquer decisão de implementação é um chute — e no contexto do exercício de 2026, chutes têm custo irrecuperável.

Os três perfis de empresa ao implementar o IFRS S1 e S2 — e o que cada um precisa fazer

Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa depende fundamentalmente do histórico de reporte da empresa. Três perfis descrevem a maioria das companhias abertas brasileiras — com distâncias muito diferentes da linha de chegada.

Perfil A — Sem histórico de reporte estruturado

Situação: a empresa não produz relatório de sustentabilidade regularmente, não tem inventário de carbono e não tem processo de materialidade. Pode ter ações pontuais de ESG mas sem estrutura de reporte.

Distância da chegada: a maior. Precisa construir tudo do zero — governança, processo de materialidade, sistemas de coleta, controles internos e preparação para asseguração.

O que fazer primeiro: nomear um responsável com autoridade para integrar finanças e sustentabilidade. Envolver o CFO imediatamente. Conduzir diagnóstico externo para dimensionar o esforço antes de qualquer decisão de implementação. Buscar apoio especializado é praticamente obrigatório para empresas desse perfil — a curva de aprendizado é muito alta para ser superada internamente em tempo hábil.

Ação concreta: agendar reunião com CFO e Diretor de Sustentabilidade (ou equivalente) para definir estrutura de governança interna antes do fim do Q1 de 2026. Se já estiver no Q2 ou Q3, essa reunião é urgente.

Perfil B — Com relatório GRI ou CDP estabelecido

Situação: a empresa produz relatório GRI consolidado anualmente, tem inventário de carbono e possui equipe de sustentabilidade com processos estruturados. O problema não é a ausência de dados — é a lógica com que eles foram coletados.

Distância da chegada: média. A infraestrutura de reporte existe mas foi construída com lógica de materialidade de impacto — oposta à materialidade financeira do CBPS 01. Os dados existem mas raramente têm a rastreabilidade que a asseguração razoável exige.

O que fazer primeiro: conduzir a análise de materialidade financeira do zero — sem tentar adaptar a matriz GRI existente. Mapear quais dados já coletados têm rastreabilidade auditável e quais precisam de melhoria no protocolo de coleta. Integrar a controladoria ao processo. Para entender por que a materialidade GRI não se transpõe para o CBPS 01, leia o artigo sobre o que é materialidade financeira no IFRS S1.

Ação concreta: mapear quais tópicos SASB do setor foram cobertos pelo relatório GRI existente — e quais foram excluídos sem avaliação de materialidade financeira. Essa lacuna é o ponto de partida do processo de materialidade CBPS 01.

Perfil C — Com Relato Integrado estabelecido

Situação: a empresa produz relatório integrado conforme o framework do IIRC, com conexão explícita entre estratégia, riscos e capitais. É o perfil mais próximo do IFRS S1 — mas ainda há gaps relevantes.

Distância da chegada: a menor — mas não desprezível. O Relato Integrado trabalha com materialidade de capitais que se aproxima da materialidade financeira, mas não é idêntica. A integração entre dados financeiros e ESG existe conceitualmente mas raramente tem a documentação de processo que a asseguração razoável exige.

O que fazer primeiro: mapear explicitamente quais divulgações do relatório integrado existente correspondem aos requisitos do CBPS 01 e quais precisam de complementação. Focar esforço na rastreabilidade dos dados — que provavelmente existe como dado mas não como evidência de processo. Antecipar a seleção do auditor independente — empresas desse perfil têm mais chance de conseguir um auditor de qualidade com antecedência.

Ação concreta: fazer um mapeamento gap analysis entre os quatro pilares do CBPS 01 (governança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metas) e as divulgações do relatório integrado atual. Esse mapeamento é o diagnóstico de prontidão para empresas do Perfil C.

A linha do tempo realista para implementar o IFRS S1 e S2 em 2026 — trimestre a trimestre

Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa em tempo hábil é uma questão de sequência e de ritmo. A linha do tempo abaixo assume que a empresa ainda está no início do processo — para cada trimestre de atraso, as etapas precisam ser comprimidas ou o escopo do primeiro relatório precisa ser ajustado.

Q1/2026 — Diagnóstico e governança. Concluir o diagnóstico de prontidão nas quatro áreas. Definir estrutura de governança interna — responsável pelo reporte, envolvimento do CFO, frequência de supervisão do conselho. Nomear o comitê ou grupo de trabalho multidisciplinar. Iniciar o processo de seleção do auditor independente para asseguração razoável — sim, neste trimestre, não no Q4. Empresas que já passaram do Q1 sem essa estrutura precisam comprimir esse passo imediatamente.
Q2/2026 — Materialidade financeira e mapeamento de dados. Conduzir a análise de materialidade financeira conforme o CBPS 01, com base nos tópicos SASB do setor. Documentar o processo de decisão — não apenas o resultado. Mapear os gaps de dados para cada tema material identificado. Para Escopo 3: identificar as categorias materiais e iniciar o engajamento dos fornecedores críticos. Definir o protocolo de coleta de dados para o segundo semestre do exercício.
Q3/2026 — Implementação de controles e coleta ativa. Implementar os controles internos para coleta de dados com rastreabilidade auditável. Formalizar o protocolo de coleta de Escopo 3 — dados primários para fornecedores críticos, estimativas documentadas para os demais. Realizar primeiro encontro formal com o auditor independente para alinhar expectativas sobre evidências e documentação. Iniciar a integração entre os sistemas de coleta ESG e o ERP financeiro.
Q4/2026 — Fechamento e documentação. Fechar os dados do exercício com a documentação de processo completa. Consolidar as evidências de cada dado — fonte, metodologia, responsável pela coleta, data. Conduzir revisão preliminar com o auditor independente para identificar lacunas antes do fechamento definitivo. Preparar o rascunho das divulgações principais para validação interna.

Janeiro a maio de 2027: produção do relatório final, processo formal de asseguração razoável com o auditor independente, revisão do conselho e publicação. Empresas que chegarem ao início de 2027 com dados bem documentados e auditor já engajado terão esse período como refinamento — não como correria. Empresas que chegarem com gaps relevantes terão que escolher entre publicar com ressalvas ou postergar partes do relatório.

Os três erros mais caros ao implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa

As primeiras empresas brasileiras a adotar o IFRS S1 e S2, os diagnósticos publicados por consultorias e o acompanhamento do mercado regulatório convergem em três erros que se repetem — e que têm custos específicos que podem comprometer toda a implementação.

Os três erros que mais comprometem a implementação
Erro 1 — Começar pelo relatório em vez de pela governança. O relatório é consequência de uma infraestrutura — não o ponto de partida. Empresas que começam pela estrutura do documento e depois tentam preencher com dados descobrem que os dados não têm a rastreabilidade que a asseguração razoável exige. O auditor não verifica o relatório — verifica o processo que produziu o relatório. Sem governança documentada, sem materialidade definida e sem controles implementados durante o exercício, o relatório mais bem escrito do mundo não passa na asseguração razoável.
Erro 2 — Subestimar o Escopo 3 da cadeia de fornecedores. O Escopo 3 representa em média mais de 80% das emissões totais — e é o dado que mais demora para estruturar. Empresas que deixam o engajamento de fornecedores para o segundo semestre de 2026 chegam ao Q4 sem dados primários dos fornecedores críticos, sem protocolo de estimativa documentado e com uma categoria material do CBPS 02 sem evidência auditável. O resultado é um gap que o auditor vai identificar e que não tem solução retroativa. Para entender como estruturar esse processo, leia como medir emissões de Escopo 3 para o IFRS S2.
Erro 3 — Não envolver o CFO e a controladoria desde o início. O CBPS 01 exige integração entre dados ESG e demonstrações financeiras — e essa integração exige participação da área financeira no processo, não apenas na revisão final. Empresas que conduzem a implementação apenas na área de sustentabilidade chegam ao Q4 com dados que não estão integrados aos sistemas financeiros, com metodologias que o CFO não validou e com uma desconexão que o auditor vai questionar. A integração financeira não é detalhe — é o pré-requisito da asseguração razoável. Para entender por que esse é um tema de responsabilidade do C-level, leia o que o conselho e o CFO precisam saber sobre IFRS S1 e S2.

Quando e por que buscar ajuda especializada para implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa

A pergunta sobre ajuda especializada tem uma resposta honesta — não um pitch. A maioria das companhias abertas brasileiras não tem internamente a combinação de expertise necessária para conduzir a implementação do IFRS S1 e S2 com qualidade auditável: profundidade em IFRS contábil, expertise em sustentabilidade e ciência climática, e experiência com asseguração razoável.

Isso não significa que toda empresa precisa de um projeto de consultoria completo desde o início. Significa que há pontos específicos onde a ausência de expertise externa tem custo relevante.

Onde a ajuda especializada faz diferença

  • Diagnóstico de prontidão estruturado nas quatro áreas — evita subestimar ou superestimar o esforço
  • Processo de materialidade financeira — o conceito mais novo e o mais difícil de conduzir internamente sem referência
  • Integração entre sistemas ESG e ERP financeiro — exige expertise técnica em ambos os mundos
  • Preparação para asseguração razoável — estruturar evidências que atendam ao padrão auditorial
  • Escopo 3 da cadeia de fornecedores — protocolo de coleta e estimativa documentada
O que considerar ao escolher um fornecedor

  • A firma tem expertise combinada em IFRS contábil e em sustentabilidade — ou apenas em um dos dois?
  • Os profissionais que vão executar o trabalho são os mesmos que fazem a venda — ou o projeto será executado por equipe júnior?
  • A firma pode fazer a implementação sem criar conflito de independência com a asseguração?
  • A firma tem experiência com os pronunciamentos CBPS 01 e 02 especificamente — não apenas com IFRS S1/S2 em inglês?

Uma regra crítica que qualquer empresa precisa ter em mente ao contratar: a firma que faz a implementação não pode ser a mesma que faz a asseguração razoável — pela regra de independência da NBC PA 01. Isso significa dois fornecedores distintos com papéis complementares. Leia mais em asseguração do relatório de sustentabilidade IFRS S1 e S2.

O momento ideal para buscar ajuda especializada é no diagnóstico — antes de comprometer recursos em implementação que pode precisar ser refeita. Um diagnóstico bem conduzido define o escopo real do projeto, o cronograma viável e o perfil do fornecedor necessário. Sem diagnóstico, o risco é contratar mais do que se precisa, menos do que se precisa ou a coisa errada.

Para entender o que as primeiras empresas brasileiras a adotar o IFRS S1 e S2 aprenderam sobre esse processo, leia o que as pioneiras fizeram diferente. E para o contexto completo do que está em jogo, leia IFRS S1 e S2 no Brasil: o que muda para companhias abertas.

“Para aquelas que deixarem para a última hora, haverá dificuldade na contratação de profissionais, coleta de informações e discussão com o auditor externo sobre o processo de asseguração razoável.”

Reinaldo Oliari — Ibracon

Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa começa com uma pergunta honesta: onde estamos hoje? A resposta a essa pergunta define tudo que vem depois — o escopo do projeto, o ritmo necessário, os fornecedores certos e as decisões que precisam ser tomadas antes que o exercício de 2026 avance mais. O IBGC disponibiliza recursos específicos para conselheiros sobre supervisão de riscos climáticos que complementam o processo de governança exigido pelo CBPS 01.

Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa — perguntas frequentes

Como implementar o IFRS S1 e S2 na minha empresa — por onde começar?

O primeiro passo obrigatório é o diagnóstico — mapear onde a empresa está hoje em relação às quatro áreas do CBPS 01: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas. Sem diagnóstico, não é possível priorizar nem dimensionar o esforço. O diagnóstico precisa cobrir governança interna, maturidade de dados, processo de materialidade financeira e prontidão para asseguração razoável.

Qual é a linha do tempo realista para implementar o IFRS S1 e S2 em 2026?

Q1/2026: diagnóstico e governança. Q2/2026: materialidade financeira e mapeamento de gaps. Q3/2026: implementação de controles, engajamento de fornecedores e seleção do auditor independente. Q4/2026: fechamento de dados e documentação de processo. Janeiro a maio de 2027: produção do relatório, asseguração razoável e publicação. Empresas que já estão no Q2 ou Q3 sem governança definida precisam comprimir as etapas anteriores.

Minha empresa já tem relatório GRI. Quanto falta para estar pronta para o IFRS S1 e S2?

Ter GRI é uma vantagem de processo — mas a distância ainda é significativa. Os principais gaps são: materialidade financeira (lógica oposta ao GRI, precisa ser refeita do zero), rastreabilidade (dados GRI raramente têm a documentação de processo que a asseguração razoável exige) e integração com dados financeiros (o CBPS 01 exige conexão auditável entre dados ESG e demonstrações financeiras).

Quais são os três erros mais caros ao implementar o IFRS S1 e S2?

Primeiro: começar pelo relatório em vez de pela governança. Segundo: subestimar o Escopo 3 da cadeia de fornecedores. Terceiro: não envolver o CFO e a controladoria desde o início. Em todos os casos, o custo é irrecuperável — dados sem rastreabilidade não podem ser reconstruídos retroativamente, e a integração financeira tardia compromete a auditabilidade do relatório.

Quando e por que buscar ajuda especializada para implementar o IFRS S1 e S2?

O momento ideal é o diagnóstico — antes de comprometer recursos em implementação que pode precisar ser refeita. A maioria das companhias abertas não tem internamente a combinação de expertise em IFRS contábil e em sustentabilidade necessária para a implementação com qualidade auditável. Lembrar que a firma que implementa não pode assegurar o relatório — são dois fornecedores distintos, por exigência da regra de independência auditorial.

Para saber exatamente em qual perfil sua empresa se encaixa e quais são os gaps prioritários, o Painel de Prontidão IFRS S1/S2 da Auíri é o ponto de partida — com autodiagnóstico por pilar, mapa de gaps e linha do tempo comentada para 2026/2027. Se você já sabe que precisa de apoio especializado para implementar o IFRS S1 e S2 na sua empresa, entre em contato diretamente.

BAIXAR O PAINEL DE PRONTIDÃO

Sobre a autora

Melissa Silvani é sócia e diretora de operações na Auíri, apaixonada por causas que importam e dedicada a construir pontes entre pessoas e propósitos.

Fale com a Auíri

Já sabe que precisa implementar o IFRS S1 e S2 e quer entender por onde começar na sua empresa? Estamos prontos para essa conversa.



Fale com a gente

COMPARTILHE

Preencha o formulário: