Afinal, o que é ESG e como a minha empresa pode se engajar nessa causa?

Afinal, o que é ESG e como a minha empresa pode se engajar nessa causa?

Sempre que converso com gestores ou pessoas interessadas em saber mais sobre ESG, surgem algumas perguntas. As principais envolvem o que é, de fato, esse termo e como uma empresa pode se engajar nessa causa. Outro questionamento que escuto muito diz respeito ao resultado: as empresas ESG realmente têm melhores resultados?

Embora seja um termo bastante falado atualmente, o ESG ainda é uma incógnita para muita gente. As pessoas até sabem do que se trata de forma genérica, mas não entendem como uma empresa pode efetivamente implantar as práticas ESG, quais indicadores devem ser avaliados e como é possível criar uma estratégia que alinhe o crescimento do negócio com impacto positivo na sociedade.

Se você também tem essas dúvidas, vale a pena conferir as dicas que eu separei sobre o universo ESG e como ele, de fato, impacta a gestão, o planejamento e a estratégia das empresas!

Por que se discute cada vez mais o papel das empresas na sociedade?

Quem pensa que o papel das empresas na sociedade é uma discussão nova se engana. Desde a década de 60, os Movimentos dos Direitos Civis ganharam força e o desenvolvimento do bem comum tornou-se muito relevante, levando as corporações a tomarem posições sociais.

A ideia do desenvolvimento sustentável, que traz o equilíbrio dos resultados a partir de três pilares básicos: os 3 Ps (People, Planet and Profit ou Pessoas, Planeta e Lucro) e a evolução de um capitalismo de shareholders para um capitalismo de stakeholders (focado não apenas nos interesses dos acionistas) já vem sendo debatida e adotada por parte das empresas há algum tempo. No entanto, o engajamento das companhias ainda é baixo e as mudanças climáticas continuam avançando em um ritmo preocupante.

Com o crescimento da tecnologia e das redes sociais, clientes e consumidores ganham voz e os movimentos sociais passam a influenciar ainda mais as práticas empresariais, dando visibilidade aos pontos críticos e exigindo posturas mais responsáveis. As novas gerações são cada vez mais exigentes e querem empresas comprometidas com um futuro melhor.  As marcas, por outro lado, precisam se humanizar para criar conexões com as pessoas.

Como o novo Manifesto de Davos direciona a atuação das empresas?

Quase 50 anos após o lançamento do documento original, o Fórum Econômico Mundial lançou um novo Manifesto de Davos em 2020, recomendando que a remuneração de executivos seja vinculada à eficácia com que as empresas cumprem as metas sociais e ambientais.

O documento também reforça que, além de pagar uma parte justa de impostos e defender os Direitos Humanos em toda a sua cadeia, as companhias devem ter tolerância zero à corrupção e precisam conscientizar seus clientes a respeito das implicações adversas de seus produtos e serviços.

Como fazer isso?

Uma das soluções é uma profunda mudança no mercado em direção ao Capitalismo Regenerativo, o que vem sendo chamado por John Elkington, o “pai” da sustentabilidade de Green Swans ou “Cisnes Verdes”- soluções que nos levam exponencialmente para o avanço, em contraponto aos “Cisnes Negros” que são problemas que nos levam exponencialmente em direção ao colapso.

Um novo sistema econômico que reconhece que os recursos naturais (água, terra, combustíveis fósseis, etc.) têm um custo quando são extraídos que deve ser valorado. Que promove a responsabilidade das empresas a ir além de minimizar o seu impacto. Seu objetivo, além de ajudar na geração de novos empregos e novos mercados, é posicionar a natureza como ativo fundamental para a sobrevivência da humanidade.

Como o ESG entra nisso?

Mais recentemente, a Sustentabilidade Corporativa ganhou uma relevância inédita, ao chegar no mercado financeiro, com o surgimento da nomenclatura ESG (sigla para Environment, Social and Governance).

Em sua carta aos investidores de 2020, Larry Fink, CEO da Black Rock, uma das principais gestoras de ativos do mundo, reconheceu que as alterações climáticas tornaram-se um fator decisivo nas perspectivas das empresas a longo prazo, considerando o risco climático como um risco de investimento e anunciando uma série de iniciativas para posicionar a sustentabilidade no coração da sua estratégia de investimento.

Agora, executivos e investidores começaram a reconhecer que seu próprio sucesso a longo prazo está intimamente ligado ao de seus clientes, colaboradores e fornecedores. Com isso, fatores socioambientais passam a fazer parte de suas análises e decisões e investidores agora querem que seus investimentos passem por filtros de ESG (ambientais, sociais e de governança).  Esta nova abordagem gerou o que vem sendo chamado de “tsunami” de investimentos ESG.

Cada vez mais, empresas que adotam os fatores ESG como prioridade são vistas como um negócio mais sólido e com foco no longo prazo.

Empresas ESG realmente têm melhores resultados?

Sim! Um estudo do Projeto Torrey examina o desempenho histórico das empresas na NASDAQ e na NYSE nos últimos 20 anos e derruba o mito de que uma abordagem ética e orientada para todos os stakeholders não pode trazer retorno dos acionistas.  As Empresas Éticas desfrutam do nível mais alto de crescimento nos preços das ações (50% maior) e as empresas focadas em stakeholders tiveram o maior crescimento de todos os preços das ações (100% maior). Os dados estão disponíveis nesta pesquisa, da Torrey Project.

Quase 59% dos fundos sustentáveis bateram a média tradicional de sua categoria. Os fundos ESG também registraram melhores resultados durante a crise da Covid-19, com uma média de captação cerca de 12% maior, segundo dados de uma pesquisa da empresa Morningstar.

Cada vez mais, fica evidente que respeitar o meio ambiente, promover o bem social e exercer uma boa governança é uma situação ganha-ganha, pois estas ações fidelizam os consumidores, minimizam riscos, atraem investidores e preparam a empresa para o sucesso de longo prazo.

Quais são as diretrizes e métricas para avaliar iniciativas e ações ESG?

Entre os investidores ESG, podemos definir dois perfis: os que buscam primordialmente minimizar os riscos e os que desejam investir no futuro que almejam, privilegiando os investimentos em negócios de impacto – empreendimentos capazes de comprovar seu impacto social ou ambiental positivo.

Nas diretrizes da Black Rock, as empresas precisam focar na sua Estratégia, no seu Conselho e no seu Propósito. A recomendação é definir uma estratégia de longo prazo, com detalhamento das ações e políticas da empresa, assim como sua preparação para enfrentar potenciais desafios, além de, obviamente, detalhar o caminho para alcançar o melhor desempenho financeiro. Ao mesmo tempo, também é necessário entender de que maneira tendências como o lento crescimento dos salários, o aumento da automação ou as mudanças climáticas afetam seu potencial de crescimento. Para garantir os melhores resultados, o engajamento de stakeholders, incluindo os ativistas críticos e o conselho (que deve ser diverso), também é recomendado.

Não existe um padrão único para divulgação das informações, o que traz uma complexidade na análise por parte do investidor. Os frameworks e diretrizes para análises e report são tantos que tem sido chamados de “sopa de letrinhas” (GRI,MSCI, SASB, SDGs, CDP, TCFD, ISO,…).

O Fórum Econômico Mundial, após consultas a empresas, investidores e com as “quatro grandes” consultorias (Deloitte, EY, KPMG e PwC), propôs, na reunião anual em Davos de 2020, uma primeira versão de um conjunto de métricas ESG e recomendações de como divulgá-las de forma consistente nos relatórios anuais de empresas. O documento, denominado Measuring Stakeholder Capitalism Towards Commom Metrics and Consistent Reporting of Sustainable Value Creation, está disponível aqui.

As métricas estão organizadas em quatro pilares:

Como se tornar uma empresa ESG?

Primeiro, precisamos entender que ser ESG é assumir compromissos com o futuro. É um processo.  Transformar negócios tradicionais em negócios de impacto leva tempo. A mudança precisa acontecer em toda a cadeia de valor do negócio.

Uma boa iniciativa é pensar na Visão 2030, imaginando um futuro no qual a operação da empresa só tenha impacto positivo. Entender quais são os principais impactos e as expectativas dos stakeholders em relação à atuação da empresa. Traçar metas para diminuir o impacto e minimizar os riscos. Identificar oportunidades para gerar impacto positivo, buscar oportunidades de ganha-ganha, repensar o negócio com a perspectiva de gerar valor compartilhado: para as pessoas, para a empresa e para o planeta.

Ter um plano para chegar lá é essencial e isso envolve a criação de um roadmap. Na Auíri, desenvolvemos uma metodologia ágil para isso, a MAIS (Metodologia Auíri de Inovação Sustentável), que conecta, aprofunda, soluciona, e orienta as empresas nesse processo de estruturação de um crescimento de impacto.

Vale lembrar que as empresas ESG crescem mais rapidamente que a concorrência e se valorizam muito mais.

Quer conhecer alguns cases de sucesso da Auíri no processo de implementação de ESG nas empresas? Mande um e-mail para [email protected] e fale com a nossa equipe sobre como montar estratégias sólidas e viáveis para os negócios, criando um impacto positivo exponencial!

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